Neste ano prometo
desfazer os laços
acreditar mais em mim
abrir mais espaços
sem cadeias e sem medo
disfarçar o meu cansaço
não guardar nenhum segredo...

Prometo que vou rir
de uma coisa inesperada
saber as pessoas ouvir
mesmo que esteja zangada
Vou mudar minha vida
achar que sou bonita
inteligente e querida
vou contar muitas piadas
todas elas engraçadas
e se alguém não achar graça
bom proveito lhe faça...



Não vou economizar
comprarei tudo que vejo
prometo que vou gastar
tudo aquilo que desejo
Viagens vou fazer
talvez para o exterior
terei muito mais prazer
se comigo você for

Assim vou prometendo
coisas que não vou cumprir
minha vida vou vivendo
meu coração vão ferir
vai ser tudo como antes
disso não posso fugir
apenas por alguns instantes
tentei em me iludir!...

Thereza Mattos



Escrito por Deneuve às 09h10 AM
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MAIS DELICADEZA ...

SOBRE A DELICADEZA

Marcos Rolim

Não valorizamos suficientemente a capacidade que algumas pessoas desenvolvem para tocar nas coisas com leveza. Abordar um tema qualquer, dirigir-se a outra pessoa ou responder à determinada pergunta são situações cotidianas bastante simples que nos permitem distinguir as pessoas delicadas. A delicadeza, não obstante, pode realizar-se em inúmeras outras dimensões da existência e, possivelmente, constitua uma espécie de ângulo pelo qual se pode ver o mundo.

Se estou certo, há formas delicadas de compreender o que nos cerca. Estas maneiras pressupõem uma aproximação cuidadosa dos fenômenos de tal forma que seja possível fazer emergir, como conhecimento, não apenas aquilo que se concebe como novo, mas aquilo que se convencionou chamar de surpresa. Talvez, algo da delicadeza se vincule, enfim, à epistemologia. Há uma forma delicada de amar que deve pressupor uma espécie de "escuta" radical; vale dizer: uma capacidade de sair de si mesmo, de descentramento, para incorporar a situação vivida pelor outro como um problema seu. O amor delicado funda um encantamento e, talvez, possa se prolongar no tempo para além das circunstâncias que o produziram. Há, seguramente, uma forma delicada de viver, de lutar, de escrever, de divertir-se, de cuidar das crianças. Há, também, uma forma delicada de morrer. O ambiente que nos cerca pode favorecer essa disposição ou impedi-la em definitivo. Entre nós - e possivelmente mais ainda no RS - delicadeza é algo que parece não informar algo importante. Há, por certo, quem imagine que a própria definição de virilidade deva excluir a delicadeza. Para esses, o masculino pressupõe, pelo contrário, a rudeza e, não raro, a disposição violenta, a intolerância e uma atração incontornável pela vulgaridade. Penso que essa tradição seja um mal e acredito que a realidade que nos cerca poderia ser muito melhor caso valorizássemos a delicadeza. Digo isso, primeiramente, para mim mesmo. Muitas vezes, perdi a chance de ser delicado e acredito que, normalmente, não o sou o quanto deveria. Tenho, felizmente, conhecido muitas pessoas delicadas. Pensando nelas, vejo o quanto devo negar de mim mesmo. Nesse caso, para além da sensibilidade estética, falamos de uma extraordinária capacidade teórica que faz com Muitas pessoas parecem ter essa facilidade e lembro delas com frequência. Não as cito porque seria uma indelicadeza com todas as demais, mas gostaria de homenageá-las de alguma forma, daí esse texto, nessa noite fria em Oxford. A questão parece ser: não se engane, a delicadeza nunca é tão somente um "revestimento" , um vazio em si mesmo. Ela é sempre a forma de um conteúdo compatível. Oscar Wilde tem uma frase que diz, mais ou menos, o seguinte: -"Apenas pessoas superficiais não se deixam levar pelas aparências". Penso que ele tinha razão. A delicadeza é um traço da cultura e sua ausência costuma assinalar, tão somente, a banalidade ou a crueldade que nos foram deixadas como herança.



Escrito por Deneuve às 10h07 PM
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DELICADEZA

Yasa(shii) - Gentle - Mind - Quiet - Gentil - Delicado - Quietude

Mandei para a lavanderia os lençóis verde-clarinhos que ainda guardavam o cheiro dela - e seria cruel demais para mim lembrar agora que cheiro era esse, aquele, bem na curva onde o pescoço se transforma em ombro, um lugar onde o cheiro de nenhuma pessoa é igual ao cheiro de outra pessoa (...).

Caio Fernando Abreu

 



Escrito por Deneuve às 10h02 PM
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