Mesmo agora que tudo se desmoronou Recordo a minha amada luminosa Como uma grinalda de douradas flores O corpo fremente do desejo ao acordar

Mesmo agora se uma vez mais pudesse ver O seu rosto jovem e fresco como a lua cheia Os seios opulentos o corpo Que as flechas do amor deixaram a arder Saberia como debelar essas chamas
Mesmo agora se a visse de novo A essa rapariga de olhos de lótus O corpo soçobrando devido ao peso dos seios Estreitá-la-ei entre os meus braços E beberia da sua boca como um louco Como uma abelha insaciável sugando uma flor

Mesmo agora recordo o seu corpo Rendido ao cansaço depois do amor Sobre as pálidas maçãs do rosto Caíam os anéis dos seus cabelos E como que para ocultar o nosso segredo As ternas lianas dos seus braços Entrelaçavam-se ao redor do meu pescoço
Mesmo agora recordo os seus olhos enormes As pupilas frementes depois de uma noite de prazer Um cisne real no lago de lótus da paixão Despertando ao amanhecer cabisbaixa de vergonha
Mesmo agora se pudesse contemplar Esse corpo esbelto consumido pela separação Os olhos dilatados quase até às orelhas Cingiria as suas coxas entre as minhas Cerraria os olhos e não afrouxaria nem Por um instante o abraço prolongado

"Poemas do Amor Furtivo"
Escrito por Deneuve às 04h35 PM
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