Num velho disco a vida se desfaz
Em poucos minutos
Pra onde aquele tempo te levou
Tambem vou
Pode ser numa cançao
Pode ser do coraçao
Eu so quero ter voce por perto
Se e pra tocar o ceu e me lembrar
Do canto de um anjo
Naquele empoeirado LP
Encontro voce
Foi-se o tempo em que sozinho
Maltratei meu coraçao
Me contou um passarinho:
Tisteza e sem razao
Escrito por Deneuve às 01h07 PM
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Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguém
Fundo sem fundo
Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão
Uma parte de mim, pesa e pondera
 Outra parte, delira
Escrito por Deneuve às 07h39 AM
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Tão abstrata é a idéia do teu ser Que me vem de te olhar, que, ao entreter Os meus olhos nos teus, perco-os de vista, E nada fica em meu olhar, e distancia Teu corpo do meu ver tão longemente,

E a idéia do teu ser fica tão rente Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me Sabendo que tu és, que, só por ter-me Consciente de ti, nem a mim sinto. E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto A ilusão da sensação, e sonho, Não te vendo, nem vendo, nem sabendo Que te vejo, ou sequer que sou, risonho Do interior crepúsculo tristonho Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.
Fernando Pessoa, 12-1911
Escrito por Deneuve às 10h57 AM
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Nada mais me atrai Que tua tez morena, ai, ai, ai. Talvez por eu ser o teu servo, Com certa obsessão a observo.
Nada faz brilhar E agrada mais ao meu olhar; Pois se eu te vejo, meu buquê, Vejo o que eu mais desejo ver...
A te adorar, parado em ser teu par, A te adorar, dourar, dourar... Te ver me dar tudo que és, Da cabeça até os pés.
Nada mais me traz Felicidade e paz Do que ver-te, ver-te sorrir; É como sorver um elixir.
Fico a te focar; Mergulho fundo no teu olhar. Mesmo quando o gozo já vem, Eu me afundo bem ali e além...
A te adorar, parado em ser teu par, A te adorar, dourar, dourar... Te ter, me dar a tudo que és, Da cabeça até os pés.
Te adorar... Te adorar, dourar, dourar... Te ver me dar tudo que és, Da cabeça até os pés.
Te adorar... Te adorar, dourar, dourar... Te ver me dar tudo que és, Dez mil vezes, mil vezes dez!
Carlos Rennó Lokua Kanza
Escrito por Deneuve às 08h52 PM
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Toco a sua boca, com um dedo toco o contorno da sua boca,
vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão,
como se pela primeira vez a sua boca se entreabrisse,
e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar.
Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo,
a boca que a minha mão escolheu e desenha no seu rosto,
e que por um acaso que não procuro compreender
coincide exatamente com a sua boca,
que sorri debaixo daquela que a minha mão desenha em você.
Você me olha, de perto me olha, cada vez mais de perto,
e então brincamos de cíclope,
olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores,
se aproximam uns dos outros, sobrepõem-se, e os cíclopes se olham,
respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente,
mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes,
brincando nas suas cavernas,
onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio.
Então, as minhas mãos procuram afogar-se no seu cabelo,
acariciar lentamente a profundidade do seu cabelo,
enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes,
de movimentos vivos, de fragância obscura.
E se nos mordemos, a dor é doce;
e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego,
essa instantânea morte é bela.
E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura,
e eu sinto você tremular contra mim, como uma lua na água.
(cap. 7 de O Jogo da Amarelinha,)
Escrito por Deneuve às 12h07 AM
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Testamento
À prostituta mais nova
Do bairro mais velho e escuro,
Deixo os meus brincos, lavrados
Em cristal, límpido e puro...
E àquela virgem esquecida
Rapariga sem ternura,
Sonhando algures uma lenda,
Deixo o meu vestido branco,
O meu vestido de noiva,
Todo tecido de renda...
Este meu rosário antigo
Ofereço-o àquele amigo
Que não acredita em Deus...
E os livros, rosários meus
Das contas de outro sofrer,
São para os homens humildes,
Que nunca souberam ler.
Quanto aos meus poemas loucos,
Esses, que são de dor
Sincera e desordenada...
Esses, que são de esperança,
Desesperada mas firme,
Deixo-os a ti, meu amor...
Para que, na paz da hora,
Em que a minha alma venha
Beijar de longe os teus olhos,
Vás por essa noite fora...
Com passos feitos de lua,
Oferecê-los às crianças
Que encontrares em cada rua...
Alda Lara/ANGOLA-1930/1962Poesia Africana de Expressão Portuguesa
Escrito por Deneuve às 06h06 PM
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Este vazio de amor todos os dias: a cabeça pesada ao meio-dia,
a boca amarga, um cheiro de sono e solidão nos cabelos
uma xícara de café bem forte espantando os arcanos da madrugada,
e muitos cigarros, as roupas, o espelho, os colares, as pulseiras.

Procuro e não acho. Mas saio para a rua tod(a) de roxo...
[Caio Fernando Abreu]
Escrito por Deneuve às 10h28 AM
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And so it is Just like you said it would be Life goes easy on me Most of the time And so it is The shorter story No love, no glory No hero in her sky

And so it is Just like you said it should be We'll both forget the breeze Most of the time And so it is The colder water The blower's daughter The pupil in denial
I can't take my eyes of you I can't take my eyes...
Did I say that I loathe you? Did I say that I want to Leave it all behind?
I can't take my mind... My mind...my mind... 'Til I find somebody new
Damien Rice - The Blower's Daughter
Escrito por Deneuve às 10h50 PM
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Mi canto no és más que un mal intento De alejarte un instante De mi pensamiento
Pasan los meses Como passa al rumot de un rio Cambian las estaciones Y no se me pasa lo frio Sigo esperando Encontrar una manera De acostumbrarme a esta casa En la que nadie me espera
Se dejaras entrar un rayo de luz Y sintieras tán solo una vez Lo que yo siento Sabrias que
Y fuimos por unos meses
Dos ingredientes de una receta
Fuimos dos flores distintas
En una misma maceta
Yo todo tiene su tiempo
Tanto lo dulce como lo amargo
No hay pena ni gloria
Que un dia no pase de largo
Se dejaras entrar un rayo de luz
Y sintieras tan solo una vez
Lo que yo siento
Sabrias que
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Escrito por Deneuve às 01h33 PM
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Todos os dias agora acordo com alegria e pena.
Antigamente acordava sem sensação nenhuma; acordava.
Tenho alegria e pena porque perco o que sonho
E posso estar na realidade onde está o que sonho.
Não sei o que hei-de-fazer das minhas sensações,
Não sei o que hei-de-fazer comigo.
Quero que ela me diga qualquer coisa para eu acordar de novo.

Quem ama é diferente de quem é.
É a mesma pessoa sem ninguém.
by Alberto Caeiro
Escrito por Deneuve às 07h26 AM
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Agora que sinto amor
Tenho interesse nos perfumes.
Nunca antes me interessou
Que uma flor tivesse cheiro.
Agora sinto o perfume das flores como se visse uma coisa nova.
Sei bem que elas cheiravam ,como sei que existia.
São coisas que se sabem por fora.
Mas agora sei com a respiração da parte de trás da cabeça.
Hoje as flores sabem-me bem num paladar que se cheira.
Hoje às vezes acordo e cheiro antes de ver.
Alberto Caeiro
Escrito por Deneuve às 03h06 AM
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Leva essa canção de amor dançante pra você lembrar de mim, seu coração lembrar de mim na confusão do dia-a-dia no sufoco de uma dúvida, na dor de qualquer coisa É só tocar essa balada de swing inabalável que é o oásis do amor Eu vou dizendo na sequência bem clichê eu preciso de você
Pa-nan-nan...
E' forca antiga do espírito virando convivência de amizade apaixonada Sonho, sexo, paixão Vontade gêmea de ficar e não pensar em nada Planejando pra fazer acontecer ou simplesmente refinando essa amizade Eu vou dizendo na sequência bem clichê eu preciso de você

Mesmo que a gente se separe por uns tempos ou quando você quiser lembrar de mim Toque a balada do amor inabalável swing de amor nesse planeta Mesmo que a gente se separe por uns tempos ou quando você quiser lembrar de mim Toque a balada seja antes ou depois, eterna Love Song de nós dois
É força antiga do espírito virando convivência de amizade apaixonada Sonho, sexo, paixão Vontade gêmea de ficar e não pensar em nada...
SKANK
Escrito por Deneuve às 08h20 PM
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by Jim Arbogast
"Se me perco em teus labirintos me descubro entre rochas e fendas,
no abrigo de tuas cavernas estreitas,
onde teus caminhos insistem em se tornar minha estrada
e o destino me mostra a neblina que faz em teu porto.
Quando o sol perguntar por mim diga a ele
que me perdi dentre as folhas e que me vou com o vento.
Não, não sei até onde consigo, porque até mesmo
quando vôo gaivota por tuas praias se abre um abismo sob meus pés,
tirando meu rumo, meu prumo, tirando meu ar, meu tudo..."
Bárbara
Escrito por Deneuve às 10h06 AM
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Maninha me mande um pouco
Do verde que te cerca
Um pote de mel
Meu coleiro cantor, meu cachorro veludo E umas jaboticabas
Maninha me traga meu pé de laranja-da-terra Me traga também um pouco de chuva
 Com cheiro de terra molhada Um gosto de comida caseira
Um retrato das crianças
E não se esqueça de me dizer
Como vai indo minha madrinha
E não se esqueça de uma reza forte
Contra mal olhado
(Rosinha de Valença)
Escrito por Deneuve às 12h42 PM
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"Lateja em meu peito um coração que bate vermelho trêmulo,
no descompasso de te ver ali, à beira de mim.

Assim te desconfio e pressinto que teus olhares já não serão tão meus quanto antes,
que teus carinhos terão o frio do aço nos próximos dias.
Se é essa lasca de vidro pulsante que tu queres, pega, te dou,
podes ficar.
Ele sempre foi teu, era tu que não sabias."
Bárbara
Escrito por Deneuve às 02h41 PM
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Meu perfil
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